chove

 

“Então, como se obedecessem a um sinal, as primeiras gotas de chuva caíram na janela do meu vagão – de início, pequenas gotas, até se transformarem gradualmente em rios que corriam pela vidraça.”
Gavin Pretor-Pinney

 

Momentos de chuva revolvem nossas memórias, nossas histórias, trazem lembranças da infância, do conforto dos lençóis, das gotas batendo na janela, no telhado, do chiado da chuva lá fora; instantes de alegria e de tristeza; de saudade, prazer e melancolia.
A chuva convida à introspecção. Ao êxtase.

 

Pode ser delicada e silenciosa como um sussurro, ou pesada, evidente e assustadora, como um grito. Vem, trazendo com ela alívio, medo, ou tensão. Encharca. Escorre. Inunda. Fecunda. Refresca. Limpa. Destrói. Vai, e carrega. Leva. Deixa seu cheiro, o reflexo do céu em poças d’água. As manchas nos prédios. O frio no corpo. O frescor de um ar renovado. Alguma gratidão. Alguma dor.

 

É paisagem móvel, em constante transformação. O avesso da paisagem urbana, ocupando todos os seus espaços vazios em uma queda incessante. Cobre a cidade com um véu, e torna nebuloso, opaco, o que era nítido, dissolvendo seus contornos. A chuva traz os signos da noite ao dia, a escuridão, as luzes acesas. É imprecisa. Incompleta.
É passageira. É fim. Recomeço.
A chuva tem gosto de céu.

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“Chove” é um projeto do designer e artista visual Henrique Martins. É um “livro de chuva”, a transposição de dias chuvosos, de como eles despertam nossos sentidos, para a linguagem gráfica, em sua forma mais crua, como uma narrativa visual.

A chuva é o conteúdo, aquilo que é expresso, e o instrumento balizador das composições visuais deste livro. É a estrutura que define cada imagem. A intensidade de sua manifestação, a força presente em cada um de seus elementos, materiais ou imateriais – o vento, a luz, o toque, o som, a memória –, são as referências para a construção da forma, em exercícios de ritmo, tensão, duração, equilíbrio e harmonia. Estes elementos são associados a sinais gráficos para criar um novo código: uma partitura de chuva. Os sinais que definem essa partitura são combinados, como equivalentes a letras, palavras e frases, formando paisagens abstratas, sensoriais, de chuva, arranjadas sequencialmente para compor uma narrativa.

A intenção é explorar essa atividade lúdica de associar o que se vê e o que se sente a imagens, fazendo uso de uma linguagem capaz de ampla, e imediata, comunicação. E que encontra neste tema, a chuva, um evento unificador, comum a todos, o que aumenta o alcance e as possibilidades de compreensão de sua mensagem.

VOLUME I: NARRATIVAS

O resultado deste trabalho é um livro em dois volumes: “Narrativa” é essencialmente gráfico, e conta histórias de chuva com uma linguagem bastante sintética. Os elementos do código criado são apresentados pouco a pouco, sendo arranjados, inicialmente, em composições simples, permitindo que o  leitor identifique o significado de cada um deles, e compreenda as relações estabelecidas em momentos posteriores da narrativa, com composições cada vez mais complexas.

VOLUME II: PROCESSOS

O segundo volume, “Processos”, livro de páginas cinzas, apresenta o desenvolvimento conceitual do trabalho. Expõe estudos, anotações, referências, conceitos, e os métodos empregados no decorrer do projeto. Os dois volumes têm os cadernos que os compõem e suas costuras expostos, sem a lombada, o que permite a abertura completa de suas páginas, e, com isso, a melhor apresentação de suas imagens. A estratégia tornou possível, também, identificar a mudança de luz na obra – a transição da chuva – até mesmo com o livro fechado.

“Chove” foi lançado no início de outubro de 2015, no Museu da Gravura, no Solar do Barão, em Curitiba. O evento marcou, também, a a abertura de uma exposição de algumas de suas imagens, contando uma parte desta história de chuva.
O livro pode ser adquirido através deste link:

Chove
R$ 60,00



prazo de entrega: em até 7 dias úteis
formas de pagamento: cartões de crédito, boleto ou depósito bancário


especificações técnicas
autor: Henrique Martins
projeto gráfico: Henrique Martins / Lacuna – design e artes visuais
editora: Medusa
assunto: Artes visuais e design
idioma: português
edição: 1ª
ano de lançamento: 2015
ISBN: 9788564029170
dimensões: 20 x 27 x 2,5 cm
número de páginas: 224
peso: 1,20 kg

Se tiver alguma dúvida, ou precisar de qualquer outra informação, envie uma mensagem usando este formulário, ou escreva para o e-mail info@chove.com.br.

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SOBRE O AUTOR

Henrique Martins nasceu em março de 1980, na cidade de Curitiba. Tem formação em arquitetura pela PUC-PR, com especialização em design gráfico pelo Centro Universitário Senac de São Paulo.

É idealizador da Lacuna, estúdio criativo que desenvolve projetos visuais em escalas e mídias diversas, comerciais e autorais, voltados, principalmente à área cultural, e realizados em parceria com diferentes grupos e profissionais. Em seu trabalho, busca os possíveis diálogos entre design e artes visuais, valendo-se de seus métodos e ferramentas para a construção de ideias, seja por meio de uma imagem, uma marca, um filme, um site, um objeto, um lugar, ou um livro, como esse. A necessidade é de comunicar.

O livro – como suporte de ideias, suas variações e suas tantas possibilidades – é uma de suas paixões, tem sido o suporte de preferência em seu trabalho, e o objeto principal de sua pesquisa em artes visuais. Outras obsessões incluem o desenho, a chuva, códigos e linguagens, cheiros, sabores, silêncios, cidades e os mundos tão particulares de cada um, e de cada instante.

conceito, imagens e design
Henrique Martins
Lacuna – design e artes visuais

fotografias
Analu Farhat
Henrique Martins
Rafael Bertelli

produção executiva
Ana Rocha | Art Projects

Este projeto foi realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Incentivo: